Por: Catalina Sanchez

Leeds, Inglaterra

CEO da AdaptiVLE e colaborador do Moodle e da Blackboard, Lewis Carr é um geek da tecnologia com mais de 12 anos de experiência no projeto de plataformas virtuais. Empresas e instituições de ensino recorrem a ele para tornar seus desejos em realidade por meio do desenvolvimento web.

Sua paixão pela tecnologia começou quando era um jovem estudante de computação gráfica, em 1998. Depois disso, ele entrou para o mundo do design de sites e da tecnologia de código aberto, antes de mudar gradativamente para o setor da educação, onde teve a oportunidade de conhecer o Moodle e a Blackboard. Foi aí que seu interesse no desenvolvimento de sistemas de e-learning disparou. Ele trabalhou por muitos anos como engenheiro de soluções na Blackboard, sendo responsável pelo suporte à plataforma Moodlerooms nas questões técnicas e de consultoria, ajudando a abrir o mercado no Reino Unido e atraindo novos clientes e usuários.

Lewis é, atualmente, o fundador e CEO da AdaptiVLE; ele também oferece suporte a instituições de ensino na difusão em massa de conhecimento através de plataformas virtuais de aprendizado. Ele também tem um blog, cuja finalidade é divulgar o seu trabalho e inspirar outras pessoas a propor abordagens inovadoras. A E-Learn Magazine conversou com ele, para conhecer seus métodos, opiniões e novos projetos detalhadamente.

E-Learn Magazine: De que modo é possível tornar o Moodle mais inovador?

Lewis Carr: Tornar o Moodle em algo mais atraente é uma questão de compromisso. O ponto de partida é conhecer seu público, conhecer o que os estudantes querem (se querem modernidade, dinamismo, diversão). Se você quer que eles estejam conectados, eles têm que gostar da ferramenta e QUERER usá-la. O primeiro passo é dar uma boa aparência para a plataforma. É como a capa de um livro. Ela chama a sua atenção e faz com que você queira ler o livro, e se você tiver sorte e o conteúdo for bom, você é conquistado.

E.L.M: Os alunos são diferentes. Como atender a todos os gostos ao mesmo tempo?

L.C: Eu geralmente estudo as últimas tendências da web e busco inspiração no que as pessoas já estão fazendo. No entanto, às vezes penso que é essencial assumir riscos, seguir um palpite que você tenha, com base em seus próprios parâmetros de criatividade. É aí que o resultado é maravilhoso. Digamos que eu acredito mais em ser um lançador de tendências do que um seguidor. É uma mistura de ver como os outros trabalham, mas também de saber como eu faria isso e assumir o risco. Você nunca vai saber se algo funciona, a menos que tente. Você tem que fazer algo diferente, sair da rotina.

E.L.M: Fale-nos de sua experiência no design de temas para o Moodle.

L.C: As pessoas frequentemente me procuram porque querem que eu resolva um problema específico. Sou bom em resolver problemas. Muitos dos designs que produzo estão de acordo com o que o cliente diz que gosta no Moodle, exceto pelo “não faça isto” ou “seria melhor se fizesse tal coisa”. Então, faço um esboço e encontro a solução.

Quando você faz algo para uma empresa, é diferente do que quando trabalha para uma instituição de ensino. Nesse último caso, você cria um produto para estudantes. Por outro lado, quando o trabalho é para uma empresa, você está, na verdade, trabalhando em torno da visão da empresa sobre as coisas. Portanto, às vezes você deve se colocar no lugar do dono da empresa e trabalhar com as ideias dele/dela, mas você também deve lhes dizer quando eles estão enganados ou errados. Os clientes me procuram porque confiam em meus 12 anos de experiência.

E.L.M: Que  tipo de empresa o procura?

L.C: Trabalho com diversos setores, da agricultura e controle de pestes à saúde e ao setor hospitalar. Também tenho clientes que trabalham com o bem-estar animal, empresas de cuidado com a pele, escolas e universidades.

E.L.M: Qual tem sido a resposta delas?

L.C: Maravilhosa! Mais e mais empresas estão aprendendo a usar o Moodle. Ao contrário das universidades, que usam a plataforma há muitos anos, a maioria das empresas são novas nesse campo. E, além de ficarem surpresas com os resultados, elas também têm levado as coisas a outro nível. Elas voltam a me procurar porque querem que nós desenvolvamos outros serviços, como mecanismos de comércio eletrônico e aplicações. Elas estão tirando o maior proveito de tudo.

E.L.M: Por que o e-learning é importante atualmente?

L.C: Por duas coisas. Primeiro, flexibilidade. A possibilidade de estudar onde você quiser e em qualquer momento. O tempo inteiro escolhemos quando queremos ler um artigo ou consumir algum produto ou outro. É parte da nossa cultura de livre demanda, e é importante que o ensino esteja no mesmo nível de outros tipos de conteúdo. Segundo, temos mais estudantes, mas também temos menos professores, menos espaços e menos recursos. A tecnologia permite que você possa construir aulas sem paredes. O e-learning vai além de uma aula, o que era impossível até há pouco tempo. E do ponto de vista corporativo, essas ferramentas oferecem aos colaboradores a oportunidade de aumentar seus conhecimentos para além da experiência que obtêm de seu trabalho. Eles decidem – dependendo de seu tempo, compromissos familiares e horários de trabalho – quando fazer o treinamento para melhorar sua eficiência e produtividade.

E.L.M: De que forma essas plataformas de e-learning podem ter um impacto maior?

L.C: Precisamos mostrar que elas funcionam, precisamos de mais casos de uso que provem sua eficiência. As pessoas precisam ver exemplos em, digamos, vídeos do YouTube, e falar com essas fontes e ver o sucesso que outras empresas estão tendo. Toda empresa que aplicou o sistema deve difundir a mensagem.

As pessoas frequentemente me procuram porque querem que eu resolva um problema específico. Sou bom em resolver problemas.

E.L.M: Já que falamos de vídeos do YouTube, você tem um blog, onde divulga o seu trabalho. Fale um pouco mais sobre ele.

L.C: Comecei o blog em 2009. Eu estava trabalhando em uma escola de educação continuada e estávamos fazendo coisas interessantes com o Moodle. Queríamos compartilhar tudo aquilo que estávamos construindo. A coisa dava certo porque fazíamos o que os alunos queriam: eles ganhavam pontos por tarefas que completavam e tudo era muito dinâmico, entre outras coisas. As pessoas na escola e de outras partes do mundo começaram nos seguir. É bom devolver conhecimento à comunidade. As pessoas pensam em termos de recompensas econômicas, mas nós também gostamos das histórias, da curiosidade, gostamos de ouvir o que as pessoas têm a dizer. Comunicar o que  funciona e o que não funciona, com a ideia de ajudar os outros. É isso.

E.L.M: O que vem a seguir?

L.C: Ainda estou trabalhando com o Moodle, especialmente no que diz respeito à tecnologia móvel. É vital que os estudantes sejam capazes de continuar apreendendo, inclusive off-line. Temos feito boas melhorias na aparência dos dispositivos móveis. Também estamos trabalhando no desenvolvimento de conteúdo melhor, que é o mais importante. Você pode ter uma plataforma incrível, mas se o conteúdo não for bom, ela não serve para nada. É essencial ter muita informação, o que vai contribuir para termos cursos fantásticos. Estamos em busca desse equilíbrio.

E.L.M: E o conteúdo? Quem fornece?

L.C: O cliente, porque ele é o especialista nesse conteúdo. Mas o cliente geralmente vem até nós com informação completa e ampla. O aluno precisa aprender tudo isso, e o que nós fazemos é criar animações, interações e atividades, para que eles possam aprender o que precisam aprender, mas com muito menos texto. Precisamos algo que inspire os nossos alunos em seu processo de aprendizado, algo que lhes motive.

E.L.M: Conseguir a atenção dos alunos em um telefone celular deve ser ainda mais complicado, com tantas distrações.

L.C: Sim. E é precisamente por isso, para o desenvolvimento do ensino móvel, que minha equipe adotou uma abordagem diferente: tarefas interativas e que podem ser completadas mais rapidamente, informação concisa, resumida. Não é simplesmente desenhar um espaço onde o conteúdo caiba na tela de um telefone móvel, não, você também tem que adaptar a quantidade de conteúdo correto, para que não perca o interesse ou envolvimento deles.

E.L.M: Qual é a melhor parte do seu trabalho?

L.C: O mais emocionante sobre esse setor é que cada dia é diferente. Tem sempre uma nova tecnologia, e o melhor de fazer parte de uma indústria que está constantemente mudando é que a tecnologia nos permite ter um impacto, ter uma voz; agora, você pode carregar conteúdo em um blog e deixar que as pessoas vejam e compartilhem sua experiência. Você tem que difundir mensagens, sair e dizer aos novos estudantes que eles podem aprender de outras formas, e que podem criar um impacto. Tudo está constantemente evoluindo.

*Lewis Carr, CEO da AdaptiVLE