Por: Catalina Sanchez Montoya

Hong Kong, RAE, China

Andrew Chiu, Coordenador de Tecnologia Educacional, está liderando uma série de mudanças estruturais e digitais na Escola Internacional Americana de Hong Kong (AIS HK, American International School Hong Kong). O objetivo é transformar o ensino e aprendizado, de modo que o processo de educação seja mais eficiente e relevante – e até mesmo mais divertido. A E-Learn Magazine falou com ele para saber mais a respeito.

Em Hong Kong, o sistema escolar local e/ou inspirado no sistema britânico é o sistema predominante. Parte do sucesso da Escola Internacional Americana em Hong Kong se deve, portanto, ao fato de que seu método é muito semelhante ao sistema americano, dividido em ensino primário, ensino básico e ensino secundário, com obtenção de diploma de conclusão no ensino secundário se o aluno atingir certo número de créditos.

O perfil dos alunos é extremamente variado, mas não há dúvida de que todos têm coisas em comum. Eles querem uma abordagem diferente para a educação, que possa ir além dos cursos tradicionais de ciências sociais e naturais e de ciências exatas. Eles também desejam ingressar nas melhores universidades do mundo, e o apoio individual que a escola oferece nesse quesito é, portanto, particularmente valioso. Esse compromisso é, de fato, parte de seu sucesso. E é a razão pela qual,  diante da necessidade iminente de introduzir novos recursos acadêmicos e estratégias educacionais, a escola estabeleceu novos objetivos para oferecer a seus alunos uma educação prática, inovadora, oportuna, valiosa e, sobretudo, abrangente.

Falamos sobre esse importante processo de mudança diretamente com um de seus líderes, Andrew Chiu, Coordenador de Tecnologia Educacional na Escola. Ele explicou os desafios, os objetivos e o espírito por atrás da iniciativa.

E-Learn Magazine: Em que consiste essa fase de transformação?

Andrew Chiu:  Temos o que podemos chamar de uma série de objetivos baseados nas mudanças internas que queremos fazer. E não é porque estejamos seguindo uma tendência mundial, mas sim porque temos observado que o aprendizado pode ser mais eficiente, mais divertido. A coisa mais importante para nós é mudar a maneira como as pessoas ensinam e aprendem. Como? Reforçando as redes, quebrando as barreiras de comunicação entre os professores e os alunos e focando mais nos alunos do que nos professores. Outra questão chave é mudar do “consumo” de significados e conceitos para a “construção” de significados e conceitos. Por fim, um dos pontos mais importantes de todos é conseguirmos mudar de uma abordagem individual para uma abordagem de grupo.

E.L.M: Por que esse último ponto é tão importante?

A.C: Já foi comprovado que o trabalho em grupo é uma habilidade-chave para ser bem-sucedido e atingir satisfação pessoal e profissional. No método da “velha escola”, um estudante pode obter as melhores notas em seu curso através do esforço individual, mas acho que isso está mudando. A ideia de que podemos ser bem-sucedidos porque trabalhamos juntos significa que podemos aprender a fracassar e a conseguir apoio de nossos colegas. Em uma cultura como a nossa hoje, é importante ser capaz de falar sobre nossos colegas e de estar mais aberto à possibilidade de aprender com os outros.

E.L.M: As ferramentas virtuais são essenciais para os estudantes ingressarem nas melhores universidades do mundo?

A.C: Elas são importantes. Na verdade, apenas neste ano é que começamos a realmente investigar a questão das plataformas tecnológicas. Em 2015, não tínhamos sequer acesso de WiFi ilimitado para o ensino básico e ensino secundário. Agora sim. E a maioria dos alunos, em qualquer aula, trabalha com seu computador. Percebemos a necessidade e reconhecemos que existem novas abordagens que devem ser levadas em conta. Graças a isso, nossos alunos agora respondem os exames mais rápido, vão para o Google procurando apoio e usam mais tempo e energia no trabalho de grupo. Já não temos que lembrar-lhes que devem fazer seus temas de casa, porque eles são mais responsáveis, têm maior senso de pertencimento, e algo muito importante: eles têm um público. Seu trabalho não vai mais para o professor em uma folha de papel “privada”, porque ele está disponível para seus colegas e, até mesmo, para seus pais, para que possa ser visto. Isso é motivador e faz diferença em termos de aprendizado. Agora isso é mais relevante e, ao mesmo tempo, implica maiores desafios para as escolas.

E.L.M: Qual a importância das ferramentas digitais e dos ambientes online na AIS HK?

A.C: As ferramentas e os ambientes online abriram um mundo de oportunidades para nós. No passado, cada aluno fazia um projeto, tinha acesso à informação off-line e era impossível para o professor dar apoio e supervisar os métodos de pesquisa e as fontes. Agora há muito mais ajuda e há maior acesso à informação correta. Outra coisa importante é que os alunos podem escolher entre vários projetos, o que significa que o aprendizado pode ser mais significativo para eles. Antes, se eles tinham que explicar uma opinião, aquele que adorava escrever se “destacava” só entregando um ensaio. Atualmente, existem outras maneiras de apresentar conceitos e debates, baseadas em cada processo de compreensão, seja em vídeo, seja em uma página web, ou ainda em uma animação e, inclusive, uma canção.

E.L.M: Que papel tem tido o Moodlerooms nessa fase de transformação?

A.C: Usamos o Moodlerooms da sexta à décima segunda série. Cada grupo tem acesso a um Curso e pode ver seu trabalho, bem como o feedback dos professores. As mudanças mais visíveis que notamos com o uso do Moodlerooms, junto com as ferramentas do Google, são que o aluno pode ter retorno imediato, pode participar ativamente no trabalho de grupo, tem acesso a todo momento para dialogar com todos, pode mostrar seu trabalho e seus textos, e pode expressar suas dúvidas e comentários. O sucesso é tanto que temos compartilhado nossa experiência Moodle com outras escolas na região. Acho, inclusive, que tem sido importante a ponto de desafiarmos o Moodlerooms: foi preciso inovar a maneira como usamos a plataforma, devido às necessidades internas de cada curso, para que ela ficasse alinhada ao nosso processo de aprendizado.

E.L.M: Qual é o próximo passo?

A.C: Fico empolgado quando vejo a direção que a escola está tomando. As mudanças estão sendo consideradas de maneira muito profissional, e o fato de que os professores se sentem empoderados para fazer a diferença é essencial. Acho que a atitude e seriedade deles casa perfeitamente com os nossos objetivos. Mas a coisa mais emocionante não é apenas a questão virtual. Sim, temos Moodlerooms, temos nosso sistema, temos as ferramentas do Google, mas a transformação é o resultado da combinação de mudanças físicas (infraestrutura) e virtuais, bem como de uma mudança na mentalidade dos professores. Isso tudo anda de mãos dadas.

*Andrew Chiu, Coordenador de Tecnologia Educacional, Escola Internacional Americana Hong Kong.

Foto: AFP Isaac Lawrence