Entrevista realizada por: Maria Paula Triviño Salazar

Arnhem, Holanda

Bas Brands é desenvolvedor web e especialista em código aberto, e tem sido um grande desenvolvedor freelancer na comunidade Moodle. Conversamos com ele na Holanda,  de onde nos contou quais são as suas expectativas e opiniões sobre a plataforma.

O aprendiz virtual: Como tem sido a sua experiência com o Moodle?

Bas Brands: O Moodle tem sido uma grande experiência de aprendizado. A comunidade Moodle é bastante diferenciada, talvez porque aprender e ensinar sejam as principais razões para utilizar o Moodle. Uma vez que você aprende a trabalhar com ele, ele se torna cada vez mais divertido, e acrescentar suas próprias ferramentas e plugins é maravilhoso, especialmente quando você pode ver como as pessoas gostam do seu trabalho e de seus acréscimos.

Aprendiz: O que é dontmemorise.com e como você contribuiu com o design?

B.B: Don’t Memorise é uma iniciativa que começou para ajudar os alunos na Índia a aprender matemática utilizando vídeos, lições e testes. É um projeto que está em desenvolvimento há quase dois anos, e continua sendo melhorado e atualizado. O principal objetivo de design era mantê-lo tão aberto e atraente quanto possível.

Aprendiz: As iniciativas do Moodle com as quais você trabalhou estão disponíveis para uso aberto pela comunidade?

B.B: A maior parte do meu trabalho com o Moodle vem de projetos pagos por clientes, e, para cada projeto, a decisão de compartilhar ou não o resultado ou código depende de uma série de fatores. Ele é suficientemente genérico e pode beneficiar outros usuários? O cliente deseja compartilhá-lo com o resto do mundo? Além disso, há outros projetos, como o tema Bootstrap, que tem uma versão que foi acrescentada ao código base padrão do Moodle e que é usado como base para a maioria dos outros temas do Moodle.

Aprendiz: O que você acrescentaria ao Moodle para melhorar a experiência?

B.B: Não acho que o Moodle precise de muitos recursos novos para melhorar a experiência do usuário. Eu preferiria remover ou desativar muitos dos recursos padrão para ter novas instalações Moodle, como o serviço de mensagens, os blogs ou as anotações. O passo seguinte seria realmente focar no Moodle básico, pesquisar o que pode ser melhorado, compartilhar essa pesquisa com a comunidade e sugerir melhorias. O Moodle HQ já começou a fazer pesquisa de experiência do usuário e a criar modelos para novas interfaces de usuário.

Aprendiz: De que forma você acha que seu conhecimento pode ajudar a comunidade?

B.B: Acho que minha especialidade é ser capaz de criar para a forma e a função. Tento aprender de outros designers de experiência do usuário em projetos de código aberto como Drupal, Diaspora e WordPress. Acho que compartilhar o que tenho feito e aprendido pode ajudar outros usuários da comunidade no trabalho ou na criação para o Moodle.

Aprendiz: O que aconteceria se, em um ponto hipotético no tempo, o Moodle ou outras ferramentas de código aberto se tornassem softwar licenciado?

B.B: Acho que ele não pode se tornar um software licenciado de verdade. O Moodle HQ construiu seu modelo de negócios em torno do código aberto, e todo o código Moodle tem licença para ser código GPL (General Public Licence, ou Licença Pública Geral). Então, mesmo que o Moodle HQ deixasse de fazer desenvolvimento na comunidade, a comunidade Moodle poderia se organizar e continuar uma versão de código aberto do Moodle e criar uma marca nova. Isso aconteceu com o popular Joomla CMS (antigo Mambo CMS), mais ou menos em 2005, e pode acontecer com o Moodle também.

*Bas Brands – Desenvolvedor web de código aberto e consultor independente

Na foto: Bas Brands.