Por: Nicolas Albouze

Paris, França

A E-Learn Magazine nos oferece uma entrevista com Henri Isaac, vice-presidente Digital da Universidade de Paris-Dauphine, uma das instituições pioneiras em inovação educacional. Ele é autor de um relatório sobre a Universidade Digital que foi solicitado pelo Ministério do Ensino Superior e Pesquisa.

E-Learn Magazine: Você poderia explicar para nossos leitores como funciona a Universidade Paris Dauphine?

Henri Isaac: A Universidade Paris-Dauphine é relativamente nova, pois foi fundada em 1968. Tem cerca de 10 mil alunos em formação inicial e contínua, principalmente, nas disciplinas de administração e economia do direito, matemática e informática. Além disso, tem uma faculdade de jornalismo. Oferece vários cursos profissionais a nível de mestrado. A Dauphine tem uma estreita relação com o mercado profissional, o que pressupõe a existência de inúmeras interações com empresas (palestras, práticas, estágios). A Dauphine é uma universidade que é um pouco diferente às presentes no sistema francês, pois tem um status de grande estabelecimento, permitindo que seus alunos sejam selecionados, contrário ao que acontece em outras universidades. Isto implica que haja uma correlação entre as taxas de inscrição de estudantes e as matrículas disponíveis, por isso no número total de nossos estudantes temos 30% de bolsistas. Existem muitos estudantes de Mestrado em período de formação, 1.200 e 2.500 alunos, o que demonstra a proximidade existente entre a Dauphine e o mundo profissional.

E-Learn Magazine: O papel da Vice-presidência Digital parece ser relativamente novo no ensino superior francês. Como você poderia defini-lo?

Foto AFP Nicolas Kovarik - Henri Isaac - Dauphine University  (16)Henri Isaac: O papel da Vice-presidência Digital é, de fato, recente, pois é de 2013, bem como a lei Fioraso. Esta função consiste em acompanhar a transformação digital da universidade em suas diferentes dimensões: serviços digitais nas diferentes partes ativas da Universidade, desenvolvimento de infraestruturas, adaptação dos locais de aprendizagem, integração do campo digital em todas as operações e transformação cultural. A educação pública francesa sofre de uma forte cultura administrativa que requer de um apoio significativo para oferecer aos estudantes uma experiência global de qualidade. Esta é uma das principais dificuldades que temos encontrado até agora.

E-Learn Magazine: O francês é uma língua que está se expandindo significativamente em certas regiões do mundo, mas é praticada relativamente pouco em outras. Que estratégias tem uma universidade francesa para atrair estudantes estrangeiros? Ela tem acordos com universidades estrangeiras? Qual é a relação que existe entre o ensino e este tipo de relação?

Henri Isaac: A Dauphine é muito conhecida no mundo francófono e atrai inúmeros candidatos francófonos. A Dauphine tem um campus na Tunísia e abrirá outro em Marrocos em breve. A Dauphine também desenvolve, há mais de quinze anos, uma oferta de formação contínua para mestrados em países francófonos (Marrocos, Argélia, Tunísia, Egito, Líbano, Maurícia, Senegal) em parceria com universidades locais ou com grupos de formação privados. Além disso, a Dauphine está começando a oferecer centenas de Bacharelados e Mestrados em inglês.

E-Learn Magazine: Entre os MOOCs, os SPOC, aulas invertidas, a aprendizagem baseada nas competências, as habilidades do século 21, quais as que você acha que são as estratégias mais promissoras quanto à inovação pedagógica?

Henri Isaac: Em relação à inovação educacional, é importante encontrar uma equipe de professores que permitam atingir os objetivos traçados! Todas as modalidades que já mencionei são relevantes, porque permitem pôr em andamento um projeto educacional que tenha sentido para os alunos. Deve se destacar que gerimos uma variedade significativa de fatores em nossa universidade. Pessoalmente, eu acredito profundamente na “Aprendizagem baseada em projetos” e no “Aprender fazendo”, mesmo que isso signifique que tenham que ser obtidas habilidades anteriores para que a pessoa possa ser eficiente. Na verdade, essa abordagem envolve a implantação de tutoriais individuais e personalizados com alto valor agregado e, é claro, com custos significativos.

E-Learn Magazine: A maioria dos estudantes universitários são da Geração Y, também chamada de “nascida no âmbito digital”. Na atualidade, quais as ferramentas que vocês põem à disposição dos alunos para melhorarem sua experiência de aprendizagem? Quais os resultados?

Henri Isaac: Usamos o Blackboard por vários anos e vamos implantar Office365 no ​​início do próximo semestre na Universidade. Temos um site dedicado aos estudantes, chamado MyDauphine, que reúne informações e serviços digitais. Neste outono, iremos implantar um aplicativo móvel que inclui todos os serviços digitais que são oferecidos aos alunos. Há vários anos, na Dauphine foram implantadas diversas ferramentas, tais como simulações de gestão e diversos jogos com empresas. Segundo os ciclos, implantamos diferentes modelos pedagógicos em que a parte digital não ocupa o mesmo lugar. Além disso, estamos aplicando o SPOC e aulas invertidas no Bacharelado e, nos mestrados, por exemplo, tem mais “Aprender fazendo” e “Aprendizagem baseada em projetos”. É claro, esta política vem acompanhada de uma abordagem BYOD (Bring your own device, por suas siglas em inglês), na qual predominam os Smartphone e os McBook, o que implica, naturalmente, uma diminuição do número de salas de informática com computadores.

E-Learn Magazine: Como você favorece a adoção de novas tecnologias por parte dos professores? .

Henri Isaac: Desde 1999, temos uma equipe que forma e acompanha os professores em relação à implantação do seu projeto educacional e oferece preparação individual para eles. Temos há pouco tempo um estúdio de vídeo que permitirá a fácil produção de conteúdos de qualidade para vídeos. Organizamos acompanhamentos personalizados e oficinas para a troca de boas práticas e o feedback de diversas experiências. Finalmente, oferecemos um bônus no salário dos professores que decidam trabalhar em um projeto que inclua eLearning.

E-Learn Magazine: Você poderia fazer referência a um projeto particular que envolva a inovação pedagógica que é aplicada em sua faculdade?

Henri Isaac: O projeto SCOPS serve para mostrar a forma como é exercida a pedagogia em nossa instituição. O projeto que foi implantado no Mestrado em Marketing, especificamente no programa de distribuição e relação com o cliente, inclui o trabalho, durante 9 meses, dos alunos que selecionem uma metodologia rigurosa de inovações no âmbito da distribuição, em seguida, eles justificam sua eleição antes de apresentá-la, durante dois minutos, diante de um júri de profissionais e de um público que cresce a cada ano. O júri e o público votam pelas melhores inovações comerciais. Nesse mesmo mestrado, estamos oferecendo trabalhar posteriormente no projeto C-Store (connected store, por suas siglas em inglês), permitindo que os alunos aproveitem a transformação digital existente em uma entidade de distribuição. Este tipo de projeto tem tido muito sucesso não somente com os profissionais e os meios de comunicação, mas também com o Ministério da Economia, que solicitou um estudo sobre os resultados que sejam obtidos todos os anos. Este tipo de projeto demonstra nossa experiência e nossa capacidade para educar e para tornar nossos alunos profissionais em seu último ano na nossa faculdade. Além disso, é uma prova da capacidade que temos para colaborar com a nossa equipe. No entanto, a verdadeira recompensa é ouvir os alunos dizendo que nunca antes tinham aprendido tanto quanto nesse ano.

Pessoalmente, eu acredito profundamente na “Aprendizagem baseada em projetos” e no “Aprender fazendo”, mesmo que isso signifique que tenham que ser obtidas habilidades anteriores para que a pessoa possa ser eficiente.

E-Learn Magazine: Quais os próximos campos no âmbito digital que vocês desejam implantar em um futuro próximo?

Henri Isaac : A Dauphine termina seu esquema principal que inclui uma revisão completa de suas infraestruturas, dos seus locais de aprendizagem com um projeto imobiliário que incluirá um centro de aprendizagem e novos locais de aprendizagem. Na verdade, a localização geográfica da Universidade, no coração de Paris, implica que temos uma necessidade cada vez maior de espaços de aprendizagem, pois é difícil para os alunos terem um espaço físico que seja utilizado só para trabalho de grupos fora do campus. Além disso, estamos preparando nosso sistema para transformá-lo em “mobile first”, isto é, os celulares em primeiro lugar.

E-Learn Magazine: Qual é a sua visão sobre uma combinação perfeita entre tecnologia e pedagogia?

Henri Isaac: A tecnologia é apenas um meio que ajuda em um propósito educacional. Quais meios e ferramentas devem ser utilizadas para atingir o objetivo educacional? Essa é a única pergunta que deve ser feita.  Se a tecnologia traz uma resposta positiva para esta pergunta, então esta é fundamental. Se não for assim, deixe que a tecnologia acelere a experiência da Universidade em todas suas outras dimensões, que também são inúmeras.

E-Learn Magazine: Como você convence os estudantes estrangeiros a virem estudar na Universidade Paris-Dauphine?

Henri Isaac: A Dauphine é uma universidade muito humana, localizada em uma das mais belas cidades do mundo, oferecendo não somente uma formação que pode ser considerada exigente do ponto de vista acadêmico, mas também uma rápida inserção profissional nas melhores empresas francesas e internacionais. A Dauphine é uma instituição que tem sido considerada como número 1 pelo site LinkedIn para entrar nas 25 empresas francesas mais solicitadas.